Doenças Comuns em Gatos

Atualizado em dezembro de 2024 · Leitura: 10 min

Gatos são mestres em esconder que estão doentes. É instinto de sobrevivência: na natureza, mostrar fraqueza atrai predadores. Isso significa que quando você percebe que algo está errado, muitas vezes o problema já está avançado.

Conhecer as doenças mais comuns e seus sinais ajuda você a identificar problemas mais cedo. Não pra fazer diagnóstico em casa, mas pra saber quando é hora de ir ao veterinário.

Doenças do trato urinário

Obstrução urinária - EMERGÊNCIA

Mais comum em machos por causa da uretra mais estreita. O gato não consegue urinar. Vai várias vezes à caixa de areia, fica em posição de fazer xixi, mas não sai nada ou saem só gotas. Pode vocalizar de dor.

É emergência. Em 24-48 horas sem tratamento, o gato pode morrer por falência renal e desequilíbrio de eletrólitos. Se seu gato está tentando urinar e não consegue, vá ao veterinário imediatamente, mesmo de madrugada.

Cistite e FLUTD

FLUTD (doença do trato urinário inferior felino) é um termo guarda-chuva pra várias condições que afetam bexiga e uretra. Cistite é inflamação da bexiga, nem sempre causada por infecção.

Sinais: Urinar fora da caixa, urinar frequentemente em pequenas quantidades, sangue na urina, lamber excessivamente a região genital, vocalização ao urinar.

Causas incluem cristais na urina, pedras, infecções, estresse (sim, estresse causa cistite em gatos). Tratamento depende da causa específica.

Doença renal crônica

Muito comum em gatos idosos. Os rins vão perdendo função gradualmente. Quando os sintomas aparecem, geralmente já houve perda significativa.

Sinais: Beber muita água, urinar muito, perda de peso, pelo sem brilho, vômitos ocasionais, perda de apetite, mau hálito, letargia.

Não tem cura, mas com dieta especial, hidratação e medicação, muitos gatos vivem bem por anos após o diagnóstico. Exames de sangue e urina regulares em gatos acima de 7 anos ajudam a pegar cedo.

Doenças respiratórias

Complexo respiratório felino

A "gripe de gato". Geralmente causada por herpesvírus ou calicivírus (as vacinas protegem contra ambos, mas não 100%). Altamente contagiosa entre gatos.

Sinais: Espirros, secreção nasal, olhos lacrimejando ou com secreção, febre, falta de apetite, úlceras na boca (calicivírus).

Maioria se recupera com cuidados de suporte: manter nariz limpo, oferecer comida cheirosa (gato entupido não sente cheiro e não come), hidratação. Casos graves ou filhotes podem precisar de internação.

Gatos que tiveram herpesvírus podem ter recaídas em momentos de estresse pelo resto da vida.

Problemas digestivos

Vômitos e bolas de pelo

Gatos vomitam. É fato. Bolas de pelo são comuns, especialmente em gatos de pelo longo ou que se lambem muito.

Vômito ocasional (uma vez por semana ou menos) de pelo ou logo após comer rápido demais geralmente não é preocupante. Vômito frequente, com sangue, ou acompanhado de outros sintomas precisa de investigação.

Escovar regularmente e usar pasta de malte ou ração pra controle de bolas de pelo ajuda.

Doença inflamatória intestinal (DII)

Inflamação crônica do intestino. Pode afetar absorção de nutrientes.

Sinais: Vômitos frequentes, diarreia crônica ou alternando com fezes normais, perda de peso, apetite variável.

Diagnóstico geralmente requer ultrassom e às vezes biópsia. Tratamento com dieta especial e, em alguns casos, medicação imunossupressora.

Doenças virais graves

FeLV (Leucemia Felina)

Vírus que ataca o sistema imunológico. Transmitido por contato próximo entre gatos: saliva, mordidas, compartilhar potes. Mãe pode passar pros filhotes.

Não tem cura. Alguns gatos eliminam o vírus sozinhos, outros se tornam portadores. Gatos positivos têm expectativa de vida reduzida e são suscetíveis a infecções e câncer.

Existe vacina. Teste todo gato novo antes de introduzir em casa com outros gatos.

FIV (Imunodeficiência Felina)

O "HIV dos gatos" (não transmite pra humanos). Transmissão principalmente por mordidas profundas, comum em gatos de rua que brigam.

Não tem cura nem vacina no Brasil. Gatos positivos podem viver anos sem sintomas, mas eventualmente desenvolvem imunodeficiência. Devem ser mantidos dentro de casa e separados de gatos negativos em situações de briga.

PIF (Peritonite Infecciosa Felina)

Causada por mutação de um coronavírus felino comum. A maioria dos gatos expostos ao coronavírus não desenvolve PIF, mas quando desenvolve, historicamente era fatal.

Existem tratamentos novos (antivirais) que estão mudando esse cenário, mas ainda são caros e de acesso complicado em alguns lugares.

Sinais: Duas formas. Úmida: acúmulo de líquido no abdômen ou tórax. Seca: sintomas neurológicos, oculares, febre persistente, perda de peso.

Problemas endócrinos

Hipertireoidismo

Muito comum em gatos idosos. A tireoide produz hormônio demais, acelerando o metabolismo.

Sinais: Perda de peso apesar de comer muito (às vezes vorazmente), hiperatividade, vocalização excessiva, vômitos, diarreia, pelo ruim, aumento da sede e urina.

Diagnóstico por exame de sangue. Tratamento com medicação diária, dieta especial, ou em alguns casos cirurgia ou iodo radioativo.

Diabetes

Mais comum em gatos obesos e machos castrados. O corpo não produz insulina suficiente ou não responde a ela.

Sinais: Muita sede, muita urina, perda de peso, aumento ou diminuição do apetite, fraqueza nas patas traseiras (andar "plantígrado").

Tratamento geralmente com insulina injetável e dieta. Alguns gatos entram em remissão com tratamento adequado e controle de peso.

Problemas de pele

Dermatite alérgica

Gatos podem ter alergia a pulgas (muito comum), alimentos, ou coisas no ambiente (pólen, ácaros).

Sinais: Coceira intensa, lambedura excessiva (às vezes até criar feridas), queda de pelo em áreas específicas, "miliary dermatitis" (pequenas crostas pelo corpo).

Identificar e eliminar a causa é o ideal. Controle rigoroso de pulgas, dieta de eliminação pra suspeita de alergia alimentar. Medicação pra controlar coceira enquanto investiga.

Quando ir ao veterinário

Vá imediatamente (emergência):
  • Não consegue urinar ou faz esforço sem sucesso
  • Dificuldade pra respirar, respiração de boca aberta
  • Trauma (queda, atropelamento)
  • Convulsões
  • Paralisia das patas traseiras súbita
  • Sangramento que não para
  • Ingestão de substância tóxica
Marque consulta em breve:
  • Não come há mais de 24 horas
  • Vômitos ou diarreia persistentes
  • Perda de peso sem explicação
  • Mudança significativa no comportamento
  • Beber ou urinar muito mais que o normal
  • Caroços ou massas novas
  • Dificuldade pra andar ou pular
  • Coceira intensa ou feridas na pele

Exames preventivos

A melhor forma de pegar doenças cedo é fazer check-ups regulares, mesmo quando o gato parece saudável. Recomendação geral:

Gatos jovens e adultos (1-7 anos): exame anual.

Gatos acima de 7 anos: exame semestral, idealmente com exames de sangue e urina pra monitorar função renal e tireoide.

Gatos acima de 10 anos: mesma frequência, talvez com exames mais completos.

Parece exagero até você perceber que 6 meses na vida de um gato equivalem a vários anos humanos. Muita coisa pode mudar nesse tempo.