Viagens e Passeios com Cães

Atualizado em dezembro de 2024 · Leitura: 9 min

Levar o cachorro junto nas aventuras é uma das alegrias de ter um. Mas exige planejamento. Não dá pra simplesmente jogar ele no carro e sair dirigindo. Segurança, conforto, documentação, tudo isso importa.

Vou cobrir desde o passeio no bairro até viagens mais longas. Cada situação tem suas particularidades.

Passeios no dia a dia

O básico que às vezes a gente esquece: coleira ou peitoral bem ajustado, guia em bom estado, identificação com seu telefone. Parece óbvio, mas a quantidade de cachorro que se perde porque escapou de uma coleira frouxa é absurda.

Peitoral é mais seguro que coleira pra maioria dos cães, especialmente os que puxam. Distribui a pressão pelo peito em vez de concentrar no pescoço. Raças braquicefálicas (focinho achatado) definitivamente devem usar peitoral porque já têm dificuldade respiratória.

Um vizinho perdeu a cachorra porque ela conseguiu tirar a coleira quando se assustou com um trovão. Microchip e plaquinha de identificação salvaram, mas foram três dias de desespero até encontrar.

Sobre onde passear: varie os trajetos de vez em quando. Cachorros adoram cheiros novos. O mesmo quarteirão todo dia funciona, mas explorar um parque diferente no fim de semana é enriquecimento.

Passeio não é só pra fazer necessidades. É exercício, estímulo mental, socialização. Deixa o cão farejar. Não fique puxando pra andar rápido o tempo todo. O nariz dele está colhendo informações importantes do mundo.

Viagem de carro

Segurança no veículo

Cachorro solto no carro é perigoso. Pra ele e pra você. Numa freada brusca, ele vira um projétil. Além disso, pode interferir na direção se resolver pular no seu colo.

Opções seguras: cinto de segurança próprio pra cães (prende no peitoral), caixa de transporte fixada no banco ou porta-malas, grade divisória separando o espaço do cão.

Se o cão não está acostumado com carro, comece devagar. Primeiro deixa ele entrar no carro parado, com petiscos. Depois liga o motor sem sair do lugar. Depois volta no quarteirão. Vai aumentando gradualmente. Forçar uma viagem longa com cão que nunca andou de carro é receita pra enjoo e trauma.

Alguns cães enjoam mesmo depois de acostumados. Os sinais são salivação excessiva, inquietação, bocejos repetidos, vômito. Se o seu é assim, converse com o veterinário sobre medicação pra viagem.

Durante a viagem

Pare a cada 2-3 horas pra ele fazer necessidades, beber água e esticar as pernas. Nunca deixe o cachorro sozinho no carro fechado, nem por "só um minutinho". A temperatura interna sobe muito rápido, mesmo em dias amenos. Cachorro morre de hipertermia assim todo ano.

Carro estacionado ao sol: Em 10 minutos, a temperatura interna pode subir 10°C. Em 30 minutos, pode passar de 50°C. Janela entreaberta não resolve. Não deixe o cão no carro. Ponto.

Comida: evite alimentar muito antes de viajar pra reduzir risco de enjoo. Um lanche leve 2-3 horas antes, e depois só petiscos pequenos durante as paradas.

Viagem de avião

Mais complicado, mas possível. As regras variam bastante entre companhias aéreas, então sempre confirme direto com elas antes de comprar passagem.

Basicamente existem duas modalidades: cabine (com você) ou porão (como carga). Cães pequenos, geralmente até 8-10kg incluindo a caixa de transporte, podem ir na cabine na maioria das companhias. Cães maiores vão no compartimento de carga pressurizado e climatizado.

Documentação necessária

Voos domésticos no Brasil geralmente pedem:

Voos internacionais são mais complexos. Dependem do país de destino. Alguns exigem quarentena, exames específicos, certificados consulares. Comece a se informar meses antes.

Raças braquicefálicas: Muitas companhias aéreas não aceitam Pug, Bulldog, Shih Tzu e similares em voos, especialmente no porão. O risco de problemas respiratórios é alto demais. Verifique as restrições.

Viagem de ônibus

A maioria das empresas de ônibus no Brasil não aceita animais, exceto cães-guia. Algumas linhas específicas ou empresas menores podem ter políticas diferentes. Sempre confirme antes.

Alternativas: carro próprio, carona, ou, em alguns casos, serviços de transporte de pets que fazem viagens intermunicipais.

Hospedagem pet-friendly

O mercado de hotéis e pousadas que aceitam animais cresceu muito. Mas "aceitar" não significa "estar preparado". Algumas dicas:

Confirme as regras antes de reservar. Alguns lugares têm limite de peso ou quantidade de animais. Alguns cobram taxa extra. Alguns só aceitam em quartos específicos.

Pergunte sobre a área externa. Tem espaço pra passear? É seguro? Tem outros cães hospedados?

Leve a caminha ou coberta que o cão conhece. Cheiro familiar ajuda ele a se sentir mais seguro em ambiente novo.

Não deixe o cão sozinho no quarto por longos períodos. Ele pode latir, arranhar a porta, fazer necessidades no lugar errado por ansiedade.

O que levar

Itens essenciais

  • Ração suficiente pra toda a viagem (mais um pouco extra)
  • Potes de água e comida
  • Coleira/peitoral e guia
  • Saquinhos pra recolher fezes
  • Documentos (carteira de vacinação, atestado se necessário)
  • Medicamentos se o cão toma algum
  • Caixa de transporte ou cinto de segurança

Recomendados

  • Caminha ou coberta com cheiro de casa
  • Brinquedo favorito
  • Petiscos
  • Toalha (pra secar se molhar, forrar superfícies)
  • Kit de primeiros socorros básico
  • Foto recente do cão (caso se perca)
  • Contato de veterinário no destino

Quando não levar

Às vezes a melhor decisão é deixar o cão em casa com alguém de confiança ou num hotel pra pets. Considere isso se:

A viagem é muito longa e estressante, e o destino não oferece nada especial pro cão. Uma semana na Europa pulando de cidade em cidade? Ele vai ficar a maior parte do tempo em caixa de transporte ou esperando em hotel.

O cão tem problemas de saúde que tornam a viagem arriscada.

O destino tem restrições que vão limitar muito o que vocês podem fazer juntos.

O cão é muito ansioso e viagens deixam ele extremamente estressado, mesmo com preparação.

Levar o cão porque você vai sentir saudade, mesmo que seja melhor pra ele ficar, é colocar suas necessidades acima das dele. Às vezes, deixar é o gesto de amor.

Destinos com o cão

Praias: algumas praias permitem cães, outras não, outras permitem em horários específicos. Pesquise antes. Se for liberado, leve água doce pra ele beber (água salgada faz mal) e sombra. Cuidado com areia quente nas patas.

Trilhas: ótimo programa pra cães ativos. Verifique se o local permite animais (parques nacionais geralmente não). Leve água suficiente pra vocês dois. Fique atento a animais selvagens, plantas tóxicas, terreno perigoso.

Cidades: muitos restaurantes com área externa aceitam cães. Shoppings geralmente não, exceto pet shops dentro deles. O transporte público varia por cidade.

Voltando pra casa

Depois de uma viagem, o cão pode ficar mais cansado ou agitado por alguns dias. É normal. Volte à rotina habitual o mais rápido possível. Isso dá segurança pra ele.

Se ele teve contato com muitos cães ou ambientes novos, fique de olho nos próximos dias pra qualquer sinal de doença. Tosse, diarreia, coceira podem indicar algo que ele pegou na viagem.

E aproveita as fotos. Memórias de aventuras com o cachorro são das melhores.