Doenças Comuns em Cães: Como Identificar

Atualizado em dezembro de 2024 · Leitura: 10 min

Conhecer os sinais das doenças mais comuns pode salvar a vida do seu cachorro. Não porque você vai diagnosticar em casa, mas porque vai saber quando a situação é urgente e quando pode esperar um pouco.

Esse artigo não substitui veterinário. É um guia pra você entender o que pode estar acontecendo e agir na hora certa. Na dúvida, sempre procure um profissional.

Parvovirose: a mais temida

Gravidade: Alta - Emergência veterinária

A parvovirose é um vírus extremamente resistente e mortal, especialmente pra filhotes. Sem tratamento, a taxa de mortalidade passa de 90%. Com tratamento intensivo, muitos cães sobrevivem, mas a conta não é barata.

O vírus ataca as células do intestino e do sistema imunológico. O cão literalmente não consegue absorver água e nutrientes, e fica vulnerável a infecções secundárias.

Sinais de alerta: Vômito intenso e repetido, diarreia com sangue (tem cheiro muito forte e característico), apatia extrema, recusa total de comida e água, febre alta seguida de temperatura baixa.

O que torna a parvo tão perigosa é a velocidade. Um filhote pode estar bem de manhã e em estado crítico à noite. Se você notar esses sintomas, especialmente em filhote não vacinado ou com vacinação incompleta, corra pro veterinário. Cada hora conta.

A prevenção é simples: vacina. O protocolo completo de V10 protege bem. Até completar as três doses, evite expor o filhote a locais com circulação de outros cães.

Cinomose: sequelas permanentes

Outra doença viral grave, mas que age de forma diferente da parvo. A cinomose afeta múltiplos sistemas: respiratório, digestivo e nervoso. Um cão pode se recuperar da fase aguda mas ficar com sequelas neurológicas pro resto da vida.

Fase inicial: Febre, secreção nos olhos e nariz (começa transparente e vira amarela/verde), tosse, espirros, falta de apetite.

Muitos tutores confundem a fase inicial com um resfriado. E de fato, alguns cães têm só sintomas leves e se recuperam. O problema é quando a doença progride.

Fase neurológica: Tremores (principalmente na cabeça), movimentos involuntários, convulsões, desorientação, paralisia, tiques que não param.

Se o vírus atinge o sistema nervoso, mesmo o cão que sobrevive pode ficar com tiques permanentes, conhecidos como "sequela de cinomose". São movimentos repetitivos involuntários, geralmente na cabeça ou membros.

Não existe tratamento específico contra o vírus. O veterinário trata os sintomas e infecções oportunistas enquanto o sistema imunológico do cão luta contra a doença. A vacina, de novo, é a melhor proteção.

Verminose: mais comum do que parece

Gravidade: Moderada a Alta (depende da carga parasitária)

Todo cachorro vai ter vermes em algum momento da vida. Filhotes frequentemente já nascem infectados porque alguns vermes passam da mãe pro filhote ainda no útero ou pelo leite. O problema é quando a infestação fica fora de controle.

Existem vários tipos de vermes: lombrigas (as mais comuns), ancilostomídeos, tricurídeos e tênias. Cada um tem suas características, mas os sinais gerais são parecidos.

Em casos leves, o cachorro pode não mostrar sintoma nenhum. Você só descobre fazendo exame de fezes de rotina. Em casos moderados, começa a aparecer barriga inchada (especialmente em filhotes), pelo sem brilho, emagrecimento mesmo comendo bem, e às vezes diarreia.

Em infestações graves, você pode ver vermes nas fezes ou no vômito. Alguns parecem espaguete (lombrigas), outros parecem grãos de arroz (segmentos de tênia). Nesses casos, o cão pode ficar anêmico, muito fraco, e filhotes podem morrer.

Prevenção: Vermifugação periódica conforme orientação do veterinário (geralmente a cada 3-6 meses pra adultos) e exame de fezes anual. Mantenha o ambiente limpo e recolha as fezes do seu cão.

Problemas de pele

Coceira, perda de pelo, feridas... problemas dermatológicos são uma das causas mais frequentes de consulta veterinária. E também uma das mais frustrantes, porque nem sempre é fácil descobrir a causa.

Dermatite alérgica

Pode ser alergia a pulgas (a mais comum), alergia alimentar ou alergia ambiental (pólen, ácaros). O cachorro coça muito, morde as patas, esfrega o focinho, e a pele fica vermelha e irritada. Infecções secundárias por bactérias ou fungos são frequentes.

Identificar o alérgeno é difícil. Às vezes exige dieta de eliminação (semanas comendo só uma proteína nova) ou testes específicos. O tratamento pode envolver remédios, banhos medicamentosos e, em alguns casos, imunoterapia.

Sarna

Existem dois tipos principais: sarna sarcóptica (muito contagiosa, causa coceira intensa) e sarna demodécica (menos contagiosa, mais relacionada a imunidade baixa).

A sarcóptica é uma emergência de coceira. O cão não para de se coçar, perde pelo, a pele fica grossa e escura. Pode passar pra outros animais e até pra humanos temporariamente.

A demodécica aparece mais em filhotes e cães com sistema imunológico comprometido. Causa falhas de pelo, geralmente começando no rosto, sem tanta coceira no início.

Ambas têm tratamento, mas precisa de diagnóstico veterinário (raspado de pele) pra confirmar e escolher a medicação certa.

Otite: ouvido inflamado

Se seu cachorro está balançando a cabeça, coçando as orelhas, e sai um cheiro forte de lá de dentro, provavelmente é otite. Algumas raças são mais propensas: aquelas com orelhas caídas e peludas, como Cocker e Basset, e aquelas que nadam muito, como Labradores.

A otite pode ser causada por bactérias, fungos, ácaros ou alergias. Sem tratamento, pode se tornar crônica e causar dor, perda de audição e até problemas de equilíbrio se a infecção atingir o ouvido interno.

Limpar as orelhas regularmente com produto adequado ajuda na prevenção. Mas quando a otite já está instalada, não adianta só limpar. Precisa de medicação específica prescrita pelo veterinário.

Sinais de urgência: Cabeça muito inclinada pro lado, perda de equilíbrio, movimentos oculares estranhos (nistagmo). Podem indicar que a infecção chegou ao ouvido interno ou médio. Procure veterinário imediatamente.

Problemas gastrointestinais

Vômito e diarreia ocasionais fazem parte da vida canina. Cachorro come coisa que não devia, o estômago reage, e pronto. O problema é quando não passa ou vem acompanhado de outros sintomas.

Vômito uma ou duas vezes, sem outros sintomas, em cão que continua ativo e com apetite: observe. Pode ter comido algo que não caiu bem. Se persistir mais de 24 horas ou se o cão ficar apático, é hora de procurar ajuda.

Diarreia é parecido. Fezes moles uma vez não são emergência. Diarreia persistente, com sangue, ou em filhote, precisa de atenção imediata porque desidrata rápido.

Uma emergência séria é a torção gástrica (ou dilatação vólvulo gástrica). Mais comum em raças grandes de peito profundo. O estômago torce sobre si mesmo, cortando circulação. Os sinais são tentativas de vomitar sem conseguir, barriga inchada e dura, inquietação extrema. É uma corrida contra o tempo: sem cirurgia de emergência, o cão morre em horas.

Quando procurar emergência

Alguns sinais não podem esperar até segunda-feira ou até o veterinário abrir:

Dificuldade pra respirar, respiração muito rápida ou com barulho estranho. Engasgo, sufocamento.

Sangramento que não para, seja por ferimento ou saindo pela boca/nariz/ânus/urina.

Incapacidade de urinar, especialmente em machos. Pode indicar obstrução urinária.

Convulsões, principalmente se for a primeira vez ou se durarem mais de 2-3 minutos.

Suspeita de envenenamento ou ingestão de objeto estranho.

Barriga inchada e dura, com tentativas de vomitar sem sucesso.

Trauma: atropelamento, queda de altura, briga com outro animal com ferimentos sérios.

Temperaturas extremas: hipotermia ou hipertermia (cão que ficou preso no carro, por exemplo).

Prevenção ainda é o melhor remédio

Vacinas em dia, vermifugação regular, alimentação de qualidade, exercício adequado e check-ups anuais previnem a maioria dos problemas. Cachorro saudável é cachorro que vai ao veterinário quando não está doente.

Observe seu cão. Você conhece ele melhor que ninguém. Quando algo parecer diferente, confie no seu instinto. É melhor ir ao veterinário e descobrir que não era nada do que esperar demais e complicar o tratamento.