Quando um gato faz algo que incomoda, a tentação é rotular como "mau comportamento" e punir. Isso não funciona. Gatos não fazem coisas por maldade ou pra te irritar. Sempre existe uma razão, seja necessidade não atendida, problema de saúde, ou estresse.
Entender a causa é o primeiro passo pra resolver. Punição, gritos e borrifadas de água geralmente pioram o problema porque aumentam o estresse sem tratar a raiz.
Xixi fora da caixa de areia
Médicas: Infecção urinária, cristais, doença renal, diabetes, artrite (dificuldade de entrar na caixa). SEMPRE descarte primeiro.
Caixa inadequada: Suja demais, tamanho pequeno, localização ruim, tipo de areia que ele não gosta, caixa fechada que prende odor.
Estresse: Mudanças em casa, novo pet, novo bebê, visitantes, obras, conflito com outro gato.
Marcação territorial: Diferente de urinar por necessidade. Geralmente em superfícies verticais, pequenas quantidades. Mais comum em gatos não castrados.
Após descartar problema médico: limpe a caixa mais frequentemente (pelo menos 1x por dia). Tenha uma caixa a mais que o número de gatos. Experimente diferentes tipos de areia. Coloque a caixa em local calmo e acessível. Use produto enzimático pra limpar os locais onde ele fez (elimina cheiro que atrai ele a repetir). Identifique e reduza fontes de estresse.
Arranhando móveis
Arranhar é necessidade, não maldade. Serve pra manter as unhas, alongar músculos e marcar território (visual e com feromônios das patas). Não vai parar, você precisa redirecionar.
Ofereça arranhadores atraentes perto dos locais que ele arranha. Descubra a preferência dele: vertical ou horizontal? Sisal, papelão ou carpete? Coloque catnip no arranhador pra atrair. Temporariamente, cubra o móvel com material desagradável (papel alumínio, fita dupla-face). Quando ele usar o arranhador, recompense.
Cortar as unhas regularmente reduz o dano quando ele arranhar no lugar errado. Capinhas de silicone nas unhas são opção temporária.
Agressividade
Por brincadeira: Atacar pés, mãos, tornozelos. Comum em gatos que não aprenderam limites quando filhotes ou que não têm estímulo suficiente.
Por medo: Quando encurralado ou assustado. Postura defensiva, orelhas pra trás, pelo eriçado.
Por superestimulação: Você está fazendo carinho, ele parece gostar, de repente morde. Ele ficou estimulado demais e a única forma que conhece de dizer "para" é mordendo.
Redirecionada: Ele vê algo que o estressa (gato na janela, barulho) e ataca quem estiver perto.
Por dor: Toque em área dolorida provoca reação defensiva.
Brincadeira agressiva: Nunca brinque com as mãos. Use brinquedos. Quando ele atacar parte do seu corpo, pare a interação imediatamente, levante e saia. Aumente sessões de brincadeira com brinquedos apropriados pra gastar energia.
Superestimulação: Aprenda os sinais de que ele está chegando no limite (rabo balançando, pele tremendo, olhar fixo). Pare o carinho antes de chegar lá.
Medo: Não encurrale, não force. Dê espaço, deixe ele ir embora. Trabalhe gradualmente a confiança.
Redirecionada: Identifique o gatilho e minimize exposição. Se acontecer, não interaja até ele acalmar.
Miados excessivos
Fome: O mais básico. Ele quer comida e aprendeu que miar funciona.
Atenção: Quer interação e aprendeu que miar faz você aparecer.
Cio: Gatas não castradas em cio miam alto e insistentemente.
Tédio: Nada pra fazer, miado é uma forma de ocupar o tempo.
Estresse/ansiedade: Mudanças, insegurança no ambiente.
Disfunção cognitiva: Em gatos idosos, desorientação causa vocalização, especialmente à noite.
Problema de saúde: Dor, hipertireoidismo (aumenta agitação), surdez (não ouvem o próprio volume).
Descarte problemas médicos, especialmente em gatos idosos ou se a vocalização é nova.
Se for por atenção: não recompense o miado com atenção. Espere ele ficar quieto, aí interaja. Difícil no começo (vai piorar antes de melhorar), mas funciona.
Se for tédio: enriqueça o ambiente, brinque mais.
Se for fome constante: verifique se a quantidade está adequada, considere comedouro automático pra distribuir ao longo do dia.
Castração resolve miados de cio.
Atacar outros gatos da casa
Gatos são territoriais por natureza. Nem todos se dão bem com outros gatos. Conflito pode surgir de disputa por recursos (comida, caixa de areia, lugares favoritos, atenção), incompatibilidade de personalidade, ou introdução mal feita.
Garanta recursos suficientes: uma caixa de areia a mais que o número de gatos, múltiplos pontos de alimentação e água, vários lugares altos e esconderijos. Gatos não devem precisar competir.
Se o conflito é intenso, separe e faça reintrodução gradual como se fossem gatos novos (confinamento separado, troca de cheiros, alimentação através da porta, contato visual gradual).
Difusores de feromônio sintético podem ajudar a reduzir tensão.
Em alguns casos, gatos simplesmente não são compatíveis e a única solução é mantê-los separados permanentemente ou realocar um deles.
Acordar o tutor de madrugada
Gatos são crepusculares, naturalmente mais ativos ao amanhecer e entardecer. Se dormem o dia todo enquanto você trabalha, vão estar cheios de energia quando você quer dormir.
Sessão de brincadeira intensa antes de você dormir pra cansar. Refeição um pouco maior à noite (saciedade ajuda a dormir). Não responda aos miados ou brincadeiras de madrugada (responder ensina que funciona). Enriqueça o ambiente pra ele ter o que fazer durante o dia e não dormir tanto. Comedouro automático programado pro começo da manhã pode distrair ele enquanto você dorme um pouco mais.
Comer plantas (ou coisas estranhas)
Gatos comem grama na natureza, provavelmente pra ajudar na digestão ou pra induzir vômito de bolas de pelo. Em casa, isso se traduz em atacar suas plantas.
Solução: ofereça grama de gato (trigo ou aveia germinados, vende em pet shops ou você cultiva). Mantenha plantas tóxicas fora de alcance ou fora de casa. Lírios, comigo-ninguém-pode, jiboia, azaleia são algumas das muitas plantas perigosas pra gatos.
Quando buscar ajuda profissional
Alguns problemas são difíceis de resolver sozinho. Considere consultar um veterinário comportamentalista ou um especialista em comportamento felino quando:
- Agressividade séria que causa ferimentos
- Problemas que não melhoram após semanas tentando soluções básicas
- Comportamento que surgiu de repente sem causa aparente
- Quando você não consegue identificar a causa
- Quando há risco pro gato ou pras pessoas da casa
Profissionais conseguem avaliar a situação de forma mais completa, identificar fatores que você não percebeu, e criar planos de modificação comportamental personalizados.
Não é fracasso pedir ajuda. É responsabilidade.