Alimentação de Peixes de Aquário

Atualizado em dezembro de 2024 · Leitura: 8 min

Alimentar peixes parece simples: joga ração, eles comem. Mas a verdade é que a alimentação errada é uma das principais causas de problemas em aquários. Excesso de comida polui a água, falta de variedade causa deficiências, e o tipo errado de alimento pode até matar.

A regra mais importante

Menos é mais. Peixes comem menos do que você imagina. A regra clássica é: ofereça apenas o que eles conseguem comer em 2-3 minutos. Se sobrar comida, você deu demais.

Comida não consumida afunda, apodrece, e vira amônia. Amônia mata. Aquaristas iniciantes perdem mais peixes por superalimentação do que por fome.

Peixes não morrem de fome facilmente. Um peixe saudável pode ficar uma semana ou mais sem comer. Você viajando por 3 dias não precisa de alimentador automático nem de vizinho jogando ração. Deixe-os sem comer que está tudo bem.

Frequência de alimentação

Peixes adultos: Uma a duas vezes por dia é suficiente pra maioria das espécies. Alguns aquaristas preferem alimentar uma vez ao dia, outros dividem em duas pequenas porções.

Filhotes: Precisam de mais refeições (3-4 vezes ao dia) em pequenas quantidades. Metabolismo mais rápido, estômago menor.

Jejum semanal: Alguns aquaristas fazem um dia de jejum por semana. Ajuda a limpar o sistema digestivo e dá uma pausa na produção de resíduos. Não é obrigatório, mas não faz mal.

Tipos de alimento

Ração em flocos

O clássico. Flutua, depois afunda lentamente. Boa pra peixes que comem na superfície e meio da coluna d'água. Perde nutrientes rapidamente após aberta (validade de 2-3 meses depois de abrir, mesmo se a embalagem diz mais).

Ração em grânulos (pellets)

Afunda mais rápido ou imediatamente (dependendo do tipo). Melhor pra peixes maiores e pra peixes de fundo. Mantém nutrientes por mais tempo que flocos.

Pastilhas de fundo

Específicas pra peixes de fundo (coridoras, plecos, botias). Afundam imediatamente e se dissolvem lentamente, dando tempo pros peixes de fundo comerem.

Alimentos liofilizados

Artêmias, bloodworms, dáfnias desidratados. Bons como petisco, não como dieta principal. Reidratar antes de oferecer é boa prática.

Alimentos congelados

Artêmias, bloodworms, krill, etc. Mais nutritivos que liofilizados. Descongele em água do aquário antes de oferecer. Não recongele.

Alimentos vivos

Artêmias vivas, dáfnias, microvermes. Excelente nutricionalmente e estimula comportamento natural de caça. Mas exige cultura própria ou compra frequente.

Variedade é importante

Não alimente só com um tipo de comida. Assim como humanos, peixes se beneficiam de dieta variada. Alterne entre ração base, alimentos congelados, vegetais (pra espécies herbívoras ou onívoras).

Peixes herbívoros (muitos plecos, por exemplo) precisam de vegetais: pepino, abobrinha, ervilha descascada, espinafre. Prenda no fundo com um peso ou palito.

Peixes carnívoros precisam de proteína animal. Ração com base vegetal não vai nutrir adequadamente.

Regra prática: ração de qualidade como base (70%), alimentos variados como complemento (30%).

Qualidade da ração

Nem toda ração é igual. Rações baratas frequentemente têm muito enchimento (farinhas de baixa qualidade) e pouca proteína de verdade.

Olhe os ingredientes. Os primeiros itens são os mais abundantes. Proteína de peixe ou frutos do mar deve estar no topo pra a maioria dos peixes tropicais. Evite rações onde farinha de trigo ou soja seja o primeiro ingrediente.

Rações de qualidade custam mais, mas você usa menos (mais nutritivas) e produzem menos resíduos.

Validade: Compre embalagens que você vai usar em 2-3 meses. Ração aberta perde nutrientes com o tempo, especialmente vitaminas. Guardar na geladeira prolonga um pouco.

Alimentando espécies específicas

Bettas: Carnívoros. Ração específica pra bettas ou alimentos de alta proteína. Bloodworms são adorados. Cuidado com superalimentação, o estômago deles é do tamanho do olho.

Coridoras: Onívoros de fundo. Pastilhas de fundo, mas também comem restos que caem. Não confie neles pra "limpar" o aquário, alimente diretamente.

Plecos: A maioria é herbívora ou onívora. Precisam de madeira pra raspar, vegetais frescos, pastilhas de fundo com spirulina. Plecos carnívoros existem mas são minoria.

Neons e tetras: Onívoros, comem quase tudo. Flocos pequenos, micro pellets, alimentos vivos pequenos.

Ciclídeos: Varia muito por espécie. Pesquise a espécie específica. Alguns são herbívoros estritos, outros carnívoros.

Sinais de alimentação errada

Água sempre turva ou com espuma: Provavelmente excesso de comida se decompondo.

Peixes obesos (barriga muito grande, dificuldade de nadar): Superalimentação.

Peixes magros com cabeça parecendo grande demais pro corpo: Subnutrição ou doença.

Algas excessivas: Nutrientes em excesso (de comida não consumida) alimentam algas.

Parâmetros de água sempre ruins: Comida demais = mais amônia.

Férias e ausências

Ausências curtas (até 5-7 dias): não alimente antes de sair "pra compensar". Deixe sem comida. Peixes adultos saudáveis aguentam tranquilamente.

Ausências mais longas: alimentador automático (programe pra porções pequenas) ou peça pra alguém alimentar (dê instruções MUITO claras sobre quantidade, pessoas tendem a exagerar).

Blocos de férias? Aqueles blocos que você joga no aquário e "alimentam por 7 dias"? A maioria dos aquaristas experientes não recomenda. Eles se dissolvem, sujam a água, e os peixes frequentemente nem comem. Melhor deixar sem comida ou usar alimentador automático.

Resumo prático

Alimentação correta = água limpa = peixes saudáveis. É simples quando você entende.