Peixes ficam doentes. Às vezes por problemas na qualidade da água, às vezes por patógenos introduzidos com peixes novos, às vezes por estresse. Saber identificar os sinais e agir rápido pode ser a diferença entre perder um peixe ou salvá-lo.
Antes de qualquer coisa: a maioria das doenças em aquário é causada ou agravada por má qualidade de água. Quando um peixe adoece, a primeira coisa a fazer é testar amônia, nitrito, nitrato e pH. Corrigir a água resolve muitos problemas antes que você precise de medicamentos.
Sinais gerais de problema
Fique atento a mudanças de comportamento: peixe que parou de comer, que fica parado no fundo ou na superfície, que se isola do grupo, que nada de forma errática, que se esfrega nas decorações.
Sinais físicos: manchas, pontos, alteração de cor, nadadeiras danificadas ou fechadas, inchaço, olhos saltados, respiração ofegante.
Doenças mais comuns
Pequenos pontos brancos pelo corpo, como se o peixe estivesse polvilhado de sal. Peixe se esfrega nas superfícies tentando aliviar a coceira. Pode ficar ofegante.
Parasita Ichthyophthirius multifiliis. Muito comum, especialmente após estresse (transporte, mudanças bruscas de temperatura).
Aumente a temperatura gradualmente para 28-30°C (acelera o ciclo do parasita). Use medicamento específico para íctio. Trate o aquário todo, não só o peixe afetado. Continue o tratamento por pelo menos 3 dias após sumirem os pontos.
Bordas das nadadeiras esbranquiçadas, rasgadas, desfiando. Em casos avançados, a nadadeira pode ser consumida quase completamente.
Infecção bacteriana, geralmente oportunista. Quase sempre associada a má qualidade de água ou estresse.
Melhore a qualidade da água imediatamente. Trocas parciais frequentes. Em casos leves, água limpa resolve. Em casos mais sérios, antibacterianos específicos. Sal de aquário pode ajudar em alguns casos.
Manchas algodonosas brancas ou acinzentadas no corpo ou nadadeiras. Parece algodão grudado no peixe.
Fungos que atacam tecidos já danificados (feridas, escamas perdidas) ou peixes imunodeprimidos.
Antifúngicos específicos (azul de metileno é uma opção). Melhore a qualidade da água. Identifique e trate a causa original do dano ao tecido.
Aparência de pó dourado ou ferrugem sobre o corpo, especialmente visível sob luz angular. Peixe se esfrega, pode ter respiração acelerada.
Parasita dinoflagelado. Muito contagioso e pode ser fatal se não tratado.
Escureça o aquário (o parasita usa fotossíntese). Aumente a temperatura. Use medicamento específico (sulfato de cobre em alguns casos, mas cuidado com invertebrados). Trate o aquário todo.
Inchaço abdominal severo, escamas arrepiadas (aparência de pinha de pinheiro visto de cima). Olhos podem estar saltados.
Não é uma doença em si, mas sintoma de falência de órgãos (geralmente rins). Pode ser causado por infecção bacteriana interna, parasitas, ou falência orgânica por outras razões.
Prognóstico geralmente ruim quando as escamas já estão arrepiadas. Pode-se tentar antibióticos em banho ou na comida, sal de epsom para reduzir inchaço. Muitos casos são irrecuperáveis.
Um ou ambos os olhos protuberantes, saltando para fora da órbita.
Pode ser trauma físico (batida), infecção bacteriana, ou sintoma de problema sistêmico (como hidropisia).
Se apenas um olho, provavelmente trauma. Melhore a água e observe. Se ambos os olhos, provável infecção ou problema interno. Antibacterianos podem ajudar se for infecção.
Quarentena
Todo peixe novo deveria passar por quarentena antes de ir pro aquário principal. Um aquário simples de 20-40 litros com filtro e aquecedor, onde o peixe fica 2-4 semanas. Isso permite observar se ele está saudável antes de arriscar contaminar todo o seu aquário.
A maioria das pessoas não faz isso. E a maioria das introduções de doença em aquário vem de peixes novos.
Usando medicamentos
Algumas regras gerais:
- Identifique o problema antes de medicar. Tratamento errado é inútil ou prejudicial.
- Remova carvão ativado do filtro durante o tratamento (ele absorve o medicamento).
- Siga a dosagem exata. Mais não é melhor.
- Complete o tratamento mesmo se o peixe parecer curado. Interromper cedo permite que patógenos resistentes sobrevivam.
- Muitos medicamentos são tóxicos pra invertebrados (camarões, caracóis). Se tiver, trate em aquário separado.
- Após o tratamento, faça trocas parciais pra remover resíduos de medicamento.
Sal de aquário
Sal de aquário (não sal de cozinha, que tem iodo e antiaglomerantes) é um tratamento suave para várias condições. Ajuda com parasitas externos, infecções leves, e estresse.
Dosagem típica: 1-3 colheres de chá por 20 litros, dependendo da tolerância dos peixes. Alguns peixes (coridoras, plecos, tetras) são sensíveis a sal. Outros (molinésias, guppies) toleram bem.
Sal não evapora, só sai com trocas de água. Não adicione mais sal a cada troca, ou a concentração vai subindo.
Prevenção
A melhor forma de lidar com doenças é não ter doenças:
- Mantenha a qualidade da água impecável
- Não superlote o aquário
- Alimente adequadamente (nem demais nem de menos)
- Faça quarentena de peixes novos
- Minimize estresse (mudanças bruscas, agressão de outros peixes)
- Observe seus peixes diariamente pra detectar problemas cedo